filmes Publicado em 1 de fevereiro de 2017

Um Céu de Estrelas: uma história de violência

O Grupo Transas do Corpo e a Red de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe, em parceria com o Cine Lumière, promoveram no sábado, dia 08 de novembro, a exibição do filme Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, seguida de debate com Pedro Plaza e Eliane Gonçalves. O evento fez parte da Campanha 25 de Novembro: Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres.

O filme conta a história de Dalva, uma cabelereira do bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, que ganha um concurso e como prêmio recebe uma passagem para Miami. Dalva enxerga nesse episódio a oportunidade de livrar-se de seu mundo de opressão, tanto do namorado Vítor, quanto de sua mãe.

O tom violento da história deixou muitas/os indignadas/os na platéia. Mas a história de Dalva, como foi apontado por Eliane Gonçalves, do Grupo Transas do Corpo, não é um relato distante da realidade de cada um/a de nós. Relacionamentos que se alimentam da violência e do ressentimento não são apenas obras de cinema.

Um fato interessante lembrado por Pedro Plaza (que fez sua tese de Mestrado baseada no filme) foi a interferência do mundo externo na realidade do casal. A cineasta usa dois recursos interessantes para ressaltar essa “invasão” externa. Primeiro ela abusa dos ruídos, como se o barulho vindo de fora da casa (onde acontece a ação) fosse um outro personagem em cena. Outra maneira de interferência é a televisão ligada na casa e que mostra a cobertura jornalística do que está acontecendo no lado interno. Tudo em um tom histriônico, típico dos programas no estilo Cidade Alerta.

A ambigüidade e a violência que marcam o relacionamento de Dalva e Vítor deixaram muitos questionamentos na platéia do debate. Existe uma vítima na história? Ao longo do filme há momentos de violência física, sexual e psicológica, como Dalva conseguiria fugir dessa realidade? Que passos decisivos ela dá, ou deveria dar, para tentar reverter essa situação? Falou-se sobre uma diferença entre a dominação física de Vítor sobre Dalva e a psicológica, de Dalva sobre Vítor. Será que ela existe mesmo ou seria apenas uma justificativa para a ação repressora do homem que vê sua mulher como objeto e não admite perdê-la?

*Elaine foi assessora de comunicação do Grupo Transas do Corpo.