artigos Publicado em 1 de outubro de 2010

Direitos da Mulher

Escrever sobre nós, mulheres, é uma tarefa fácil? Depende de que modo escolhermos escrever. Se pretendermos dar continuidade ao que já foi dito, para que continue sendo dito, basta escolhermos um verso, um verso qualquer e reafirmamos nossa inata fragilidade, nosso inerente desinteresse pelas questões políticas, como se tais problemas não nos afetassem diretamente e pior, como se nossas opiniões não passassem de meros devaneios devido a nossa incapacidade de elaborar um pensamento racional e agíssemos apenas a partir de nossa afetividade. Para isso basta continuar afirmando que ainda fazemos só amor, em vez de sexo e que nosso instinto maternal é o responsável pela nossa doce obrigação com a maternidade.
Dar continuidade a esse ciclo irrefletido e alienado, com certeza é mais fácil e exige menos, pois basta reescrever o que já foi escrito.
Mas, como mulher, acredito que queremos nós mesmas escrever a nosso respeito. E inventarmos formas de falar sobre nós, se for necessário. E o mais importante, lermos o que escreveram e o que escrevem sobre nós, lermos também o que as mulheres estão dizendo e redigindo sobre diversos assuntos.
“Libertar as mulheres da mulher”. Foi isso que escutei em uma palestra sobre a contribuição do feminismo às pesquisas sociológicas contemporâneas, e que para mim diz muito sobre as angustias que sentimos diante de uma mulher que nós é imposta e que não queremos ser, não nascemos frágeis, mas nos construímos assim.
A maternidade deve ser um prazer e não uma imposição social! As mulheres têm o direito de ser ou não mães, de ter quantos filhos quiserem e do modo que mais resguarde sua saúde física e psíquica. Admitir as múltiplas identidades femininas, respeitar o nosso direito ao exercício pleno da sexualidade sem a obrigatoriedade da heterossexualidade, são alguns dos fatores que guardam o direito sobre nossos próprios corpos.
A sociedade é o espaço que temos para dizermos nossas próprias palavras e o jornal é um ótimo meio para tal. Fica então aberto o espaço.

Por: Nidilaine Dias
Graduanda em Ciências Sociais